Olá pessoal, tenho noção de que demorei muito a escrever este novo post, e que a vida de vocês esteve mais vazia e menos colorida durante esse período. Mas dêem-nos um desconto, afinal tivemos que ficar aturando Paris no verão, andar pelas ruas debaixo de sol, engolir fígados de pato, trocar de apartamento, eu tive que me esforçar no violão para agradar terceiros… Vida dura. Preparem-se para um proust imenso. Vamos começar por uma foto lugar comum de um ponto turístico muito bonito, na Île-de-la-Cité.

Notre Dame de Paris
Eu tento fugir mas o bambu fica me puxando o pé. Fui visitar o Jardin D’Emeraude em Saint-Remy-Le-Chevreuse, que fica na casa do paisagista Marc Bouillon, marido da Florence que vem a ser a presidenta da associação francesa de bambu. Muito bonito o jardim, muitas espécies asiáticas e algumas chilenas. Me inscrevi na associação.

Saint-Remy-Le-Chevreuse
No caminho que eu fazia de bicicleta todo dia eu vi esse grafiteiro.

Grafite
Um pequeno causo burocrático: carteira de motorista. Existe um acordo no qual o brasileiro, entre outros, pode dirigir na França com sua carteira de motorista original. Eu traduzi a carteira no consulado brasileiro, depois de ter perdido 30 euros e algumas horas, também levei uma cantada de funcionário. Ele me explicou que o consulado funcionava dentro da embaixada, aquela mansão na beira do Sena, mas foi transferido para a Ave Franklin Roosevelt (se fala Frrrranklin Rusevelllllt), e nesse processo rolou um monte de problemas como a queima de algumas máquinas e falta de pessoal durante treinamento para utilizar as novas impressoras antifalsificação classe A Plus.
ENFIM, para pedir uma carteira francesa em troca da minha brasileira, fui na Prefeitura da região onde morava, uma viagem chatinha, e peguei aquela fila maneira pra descobrir que devia na verdade fazer o pedido pelo correio. PELO CORREIO, eu já estava lá. Mandei pelo correio, no começo de julho, e até agora nenhuma resposta. Que saudades do DETRAN. Mas acho que vou ignorar esses caras e trocar aqui em Paris, já que viramos cidadãos da cidadeluz, isso mesmo, antes éramos suburbanos, e agora somos chiques e esnobes, não falem mais conosco. Demos um neighbourhood upgrade. Se bem que o novo quartier é menos burguês e mais popular, mas isso é no final do brogue de hoje.

Préfecture du Val du Marne
O jogo Espanha e Alemanha o signori Cavaterra me chamou pra assistir num bar do Faubourg Saint-Antoine, com seu amigo alemão. Coitado, perdeu e ainda teve que aguentar 3 amigos espanhóis zoando ele depois do jogo. Fui tomar uma cerva final com os espagnoles después.

Espanhóis zoando o alemão
Nosso cinema de escolha é o UGC Bercy, fica do lado do Parc de Bercy e do centro de espetáculos, e dentro da Cour Saint-Emillion, um lugar muito agradável. Tem até uma torre eiffel de bambu no parque! Vimos Shrek 4, Inception e Toy Story 3.

Parc de Bercy

Torre Eiffel de bambu
O caminho de Saint-Mandé até o 20éme é bem agradável, pega a Rue de Lagny bem calma, passa pelo Parc Sarah Bernhardt, cehga no Boulevard de Couronne, passa pelo Père Lachaise, Blv Menilmontant até chegar em Belleville. Assistimos a final da copa na casa da Virgínia, ela conseguiu um studio espaçoso, com uns 30 mètres carrés², coisa fina, em FRENTE ao Parc Buttes Chaumont (o qual inacreditavelmente ainda não inauguramos com algum piqs). O apê dela já virou point de saraus e soirées, e só falta ela tomar vergonha na cara e consertar a flauta.

Boulevard de Charonne

Casa da Virgínia
Ah o patriotismo… Sinônimo de algumas manifestações artísticas interessantes, mas também justificativa para as mais incríveis estupidezes maluquices. 14 de julho, a queda da Bastilha, aquele símbolo da monastia, que na época da queda já nem era mais usada com frequência esegundo meu pai já tinha muito barzinho em volta, enfim, o povão feliz e adrenado foi lá botqr pra quebrar. E a gente hoje em dia assiste uns fogos bem legais ali perto da Torre. A gente achava que seria na Torre, mas foi no Trocadéro. Valeu a pena mesmo assim.

Alê, Edgard, eu, Vi, Anna e... foi mal esqueci

14 de julho
No meio de julho acabou o período de trabalho do Marcelo na Archi5. Rolou uma festa de fim de ano da firma pouco antes do retorno deles ao Brasil, em Montreuil, regada a Champagne, vinho, pavês, queijos, pães e legumes. Lá conheci o Glenn e a Agneshka, essa é uma polonesa que já estudou na PUC-Rio e conhece uma amiga em comum, who would say? Grobalizassaum. O piquenique de despedida do Marcelo e da Rafa foi bem legal, na beira do Sena, com os amigos franceses, brasileiros e italianos, com direito a violão, uma capoeira rolando mais à frente e uma zabumba marroquina no gramado ao lado.

*
Piqs despedida Marcelo e Rafaela
A prima da Anna, a Paulinha, passou por Paris aí comemos um crepe com cidra em Saint-Michel.

Paulinha
Um lugar muito bom para shows gratuitos de verão é o Parc de La Villette, no nordeste de Paris. Fomos duas vezes para o Jazz à La Villette, no primeiro vimos o guitarrista malinês Vieux Farka Touré (apesar do nome, ele é FILHO do Ali Farka Touré), o pianista/tecladista congolês Ray Lema (fantástico em algumas músicas), o tocador de oud tunisiano Jean-Pierre Smadja (conhecido como Smadj, que mistura música árabe com jazz e trip-hop, muito bom), e o tocador de oud libanês Rabih Abou-Khalil. Esse Rabih, apesar de ser um músico excelente, tem o péssimo hábito de falar pacas antes de cada peça. Como nós já estávamos cansados quando o show dele começou, e eu tinha visto o show desconstrutivista dele no Jazz La Défense, resolvemos não encarar o show todo.

Vieux Farka Touré

Mundaréu assistindo os show

Gringo
O parque é muito bonito, tem cinema ao ar livre no verão, galerias e lojas de arte, gramados e a Bassin de La Villette, onde você pode pegar o barco de transporte. Nesse dia eu vi uma roda de música árabe, de capoeira e de maracatu.

Domo geodésico de espelhos - Planetário

Eu e Sylvain no reflexo

Bassin de La Villette

Roda de maracatu
Depois de conhecer o Domenico na festa da Archi5, combinamos um jantar em casa com ele e o Fabio. O Domenico é um napolitano gente fina que é a cara do Giuliano Bonorandi, já foi construtor de barcos, já velejou pelo Brasil e quer morar na Bahia. A sonia sua esposa está grávida. Fala aí, é ou não é a cara do Giuliano?

Domenico, Sonia, Fabio e Anna
Logo após fomos convidados pelo Bertrand e pela Francielle (chef profissional mineira) para um jantar na casa deles. Tudo delicioso e feito perfeitamente, a elasticidade do meu estômago foi testado essa noite. O Bertrand deu uma força e conseguiu imprimir os cartões de visita da Anna de graça! Ficaram muito bons.

Jantar Doussain

Cartões da Anna
A ex-chefa da Anna veio passar umas pequenas férias em Paris com o Rudi e a Joana. Assim que chegaram o Rudi teve uma crise aguda de pedra nos rins, logo ele que ama a gordura e os vinhos da culinária francesa! Sofreu o pobre, tomou muito analgésico, foi pro hospital… Fomos num italiano e tomamos um Valpolicella, mas custou caro pra ele depois.

Joana, Rudi, Anna e Flavia
Anna acompanhou mãe e filha no Parque Asterix.

Anna e Joana no Parque Asterix
No dia seguinte fomos no simpático Marché des Enfants-Rouges, depois passeamos pelo Marais cvendo lojas de design e terminamos no Domaine de Lintillac. Esse restaurante perto do Opera Garnier é parada obrigatória deles em paris para comer o foies gras frito, mas dessa vez não deu pra ele. A Flavia nos convidou, e experimentamos o dito cujo, primeira vez comendo o original. Olha, o gosto é muito bom, mas parece que eu tô comendo manteiga gostosa, mas estamos muito gratos pela chance de provar. Arrematei o jantar com um cassoulet de pato ma-ga-vi-lho-so. Valeu Flavia!!!

Flavia da Matta e Joaninha no Marché des Enfants-Rouges

Cadeiras Pantone

Cartaz
Também aproveitamos o festival de jazz do Parc Floral no Bois de Vincennes, fomos assistir a cantora franco-camaronesa Sandra Nkaké e o baixista-cantor Richard Bona, esse cara é muito bom, toca muito.

Parc Floral

Rapha, Cédric e esqueci.

Na saída do Parque Floral
Depois do show fomos comer crepes no Quartier Latin com o Cédric.

Alê e Cédric
Outro que veio a Paris foi o Affonso, com a namorada Joana, que nós não conhecíamos e adoramos. Levamos eles no Auberge Le Pot de Terre, na Rue du Pot-de-Fer, onde os mosqueteiros bebiam e comiam, fizemos nosso BG na Place de la Contrescarpe e no dia seguinte fomos no Marché des Enfants-Rouges. Affonso deu uma passada em casa de noite para uma taça de vinho.

Fifonso
Passamos um tempo meio preocupados pois o tempo de aluguel do apê de Saint-Mandé estava acabando. Visitamos muitos apartamentos, alguns legais, mas ninguém aceitava a gente como locatário, sem emprego, etc… Demos uma baita sorte de achar um apê legal em Belleville, perto da Virgínia, e pas chér. Ele estava razoável, como nas fotos abaixo.

Quarto

Cozinha
Demos então um jantar em Saint-Mandé para nos despedir.

Cebolinhas

Cenouras

Rôti de Porc au Lait

Vi, Edgar e Bruno

Diner

Esse é BOM
Entregamos o apê para o Yoann, e fizemos a mudança no carro do Bruno (valeu Bruno e Moralez!). Depois de um banho style Anna e processo operário Rapha o novo apê está assim.

Cour do prédio

Apê 77

Quarto

Mezanino e sofá-cama

Porta de entrada

Copeira da cozinha

Pia, fogão e estante

Acessórios

Banheiro
O quartier é uma mistura de São Paulo com Rio de Janeiro, cheio de africanos, maghrébins e chineses. Tem uma feira enorme 3 vezes por semana no Boulevard de Belleville, dois supermercados estritamente chineses, restaurantes tunisianos, libaneses, turcos, kurdos, indianos, chineses, japoneses e até franceses!

Feira de Belleville

Tomate coeur de boeuf
Vou terminar esse post épico contando a noite doida que eu vivi ontem. Agneshka, a arquiteta polonesa, nos convidou para seu pré-aniversário ontem, Anninha estava cansada e eu queria fazer contatos profissionais. O endereço que ela deu na Rue de Birague dava numa porta enorme de madeira sem interfone. Por sorte tinham umas pessoas na porta me perguntando o que eu queria, expliquei e me deixaram entrar. Entrei na cour de uma mansão século XVII, decorada com paletas de madeira de supermercado e um projeto paisagístico simples, somando tudo em um aspecto rudemente elegante.
Une jovens estavam sentados, me apresentei e eles também esperavam pela Agneshka que não tinha chegado. Fiquei sabendo que a casa é uma mansão de uma velha senhora que ficou meio maluca, e os filhos não conseguem resolver o problema de sucessão, resultando em 40 anos (!) de abandono. Em outubro passado, os 35 atuais moradores forçaram a entrada e transformaram a mansão em um squat/sede de associação que luta pelo direito de todos ao alojamento (?).
Agneshka chegou, outros convidados também, vinhos foram abertos, troquei ideia com o pessoal, fiz contatos interessantes que podem virar trabalho, mostrei a guitarra, todo mundo ficou impressionado com o desenho 3D do baixo de bambu, a coisa estava indo legal e normal. Até que os outros moradores pediram para que fôssemos todos para a cave, assim não haveria incômodo, o pessoal poderia dormir em paz e a festa continuar.
Descemos para a cave, passamos por uma grande sala com uma bateria completa esperando por alguém para tocá-la, e entramos numa outra grande sala montada pelos moradores como sala de projeção, com sofás, cadeiras e projetor. O pessoal começou a ajeitar os sofás para virar uma sala de estar.

Arrumando a cave
Nessa hora eu fui com o Julian e o Kian olhar as sala adjacente, que continuava a cave. Ela era grande também, e dava para uma outra sala à direita e outra à esquerda. Pegamos a da direita, que dava para uma escada à direita, subimos e vimos outra sala grande, essa dava DIRETAMENTE para a Place des Vosges, mas as portas estavam tapadas com compensados.

Cave
Ouvimos a Agneshka nos chamar, ela também queria explorar a cave. Descemos e fomos para a sala ainda não explorada, que abria para um corredor com diversas pequenas salas adjacentes e desembocava numa sala de máquinas sinistra. Agneshka posou para fotos fashion.
Uma marroquina, Agneshka e uma argelina.

Agneshka
A cave é gigante! Voltamos para a sala de projeção, conversei mais um pouco, quando abriram um vinho rosé du pays dos ruins, senti que era hora de ir embora.

- Uma marroquina, Agneshka e uma argelina.

Fachada da mansão na Place des Vosges
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